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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

CARECA DE SABER

                                         Registro: Newton Goto

Julho de 2006

PERFORMANCE REALIZADA EM ANTONINA, Paraná,durante o 16º FESTIVAL DE INVERNO promovido pela Universidade Federal do Paraná, dentro do projeto REDES / FUNARTE e produzido por EPA! (Expansão Pública do Artista), capitaneada pelo artista Newton Goto.




CONTEXTO:
Discutir questões relacionadas à ética e a estética, em uma barbearia, a partir do quadro eleitoral nacional e a polarização inventada pela mídia, entre dois candidatos à presidência da República e suas propostas (ou falta delas) para governar o país.

AÇÃO E REFLEXÃO
“Careca de saber”: relativo à sabedoria e à perda de cabelo enquanto fenômeno físico por ação do tempo (calvície) ou corte de cabelo.

A PERFORMANCE
Realizada em uma barbearia local, no centro da cidade, onde os homens se reúnem para falar mal da vida alheia, política e futebol (não necessariamente nesta ordem). Ou, a barbearia é o rádio-peão da cidade interiorana.


Com duas placas à mão, uma escrita LULISMO e a outra ALQUIMISMO, sentei na cadeira do barbeiro e pedi para cortar cabelo e barba, afim de mudar o visual radicalmente.
A questão colocada na situação era sobre a mudança que se gostaria de fazer, saindo de uma situação política ligada ao Lulismo – em referência ao presidente Lula – para se chegar ao Alquimismo. Mas não ao Alckimismo do candidato do PSDB à presidência, mas daquele referente à Alquimia, na idade média, que tinha por busca a pedra filosofal, de transformar o chumbo em ouro (não pelo vil metal em si, mas pelo que ele representa, seu referencial simbólico de elevação).



A partir de uma consideração genérica, de que os militantes de esquerda são barbudos e cabeludos (desde descuidados até almofadinhas) e os integrantes da direita política partidária são carecas e barbeados (repare!), começei uma conversa na barbearia envolvendo várias pessoas do lugar, para falar sobre arte e política. Questionando, ao mesmo tempo, a ética e a estética enquanto conduta de ação individual e coletiva. E colocando temas como reforma agrária, legalização das drogas e reestatização dos setores estratégicos, levando as pessoas a refletirem e opinarem sobre essas questões.


Ao final do trabalho, o barbeiro também quis participar da performance além de seu trabalho cotidiano, tirando uma foto com a máquina dele, que, ao invés de foto, saia um pênis quando apertado o clique. O que tornou ainda mais jocosa a cena toda, porque falávamos de esquerda e direita. E toda agremiação populista possui sempre uma ala denominada de “força jovem” ou “juventude socialista” ou “juventude fascista”, que são jovens com idéias velhas sustentando o poder do phalo grande e duro como símbolo da sociedade machista e patriarcal.
Como uma boa performance de barbearia, restava-nos apenas rir. E foi o que fizemos. Afinal de contas, uma das estratégias para se começar um assunto sério é a descontração no início da conversa e o aprofundamento do debate, em seguida.
CARECA DE SABER, então, tem a ver com essa situação de jogos polares políticos e a transcendência dessa situação – a alquimia – através da sabedoria.

 


sábado, 23 de novembro de 2013

TEMPESTADE EM COPO D'ÁGUA

Duração: aprox. 15 minutos

Realizada no saguão da antiga Estação Ferroviária, dentro da Mostra de Vídeos organizada pelo artista Newton Goto, no Festival de Inverno de Antonina, que é uma realização da Universidade Federal do Paraná – 2006




O que é
“Tempestade...” como o próprio nome diz, é o ato de fazer usar mais energia do que se precisa para realizar uma ação.

Descrição do trabalho
A performance começa com um copo de água no meio de uma roda formada pelo público.
 Outros copos vão sendo colocados, um a um, em frente ao primeiro copo, e o performer vai fazendo com que a água que estava no primeiro copo passe para o segundo copo e assim sucessivamente. Nessa performance foram utilizados treze copos.
Após o quarto copo, o performer vai subindo em cima dos copos até chegar perto do copo com água, à frente, voltando um a um os copos até chegar ao ponto inicial de onde ele saiu.
Um rádio fora da estação produz um ruído branco, como se fosse uma cachoeira ou uma chuva caindo.
Quando acabam os copos, o performer devolve a água do último copo para o antepenúltimo copo, voltando o caminho da água, até chegar ao copo inicial. Então faz um brinde ao público e bebe a água do copo.
Fim.

Fotos:Newton Goto

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

ROMELEX - MUDANDO SEU TEMPO





ROMELEX: MUDANDO SEU TEMPO, de RUBENS PILEGGI
                                                                                          por Roberto Corrêa dos Santos


Em um dos diálogos de Platão, expõe-se a maravilhosa narrativa mítica acerca do nascimento do Amor: de Amor, esse ente que nos abraça a todos e que de teste serve para nossa medida do quanto de mais ou de menos em nós há do que nomeamos de vida forte; de Amor, desse ente que atua como sistema de filtragem do que de menos ou mais age sobre a saúde ampla e necessária da Pólis. 

No diálogo platônico, assim nasce Amor: Pênia – a fértil penúria – vendo dormir Poros (a potência riquíssima do que transpira), nele se lança, fazem sexo; juntam-se assim o que sobra (Poros) e o que falta (Pênia); desse assalto febril, emerge o belo, e de origem oximórica, filho: Amor. 

Rubens Pileggi retoma o mito: e põe-se a gerar inúmeras obras advindas de tal união amorosa; trata-se de atos artísticos de amor, juntando sempre as duas riquezas aparentemente opostas, mas tão apenas suplementares, como as duas faces de um papel, indissociáveis ainda. 

Marx bem olhara com rigor essa dobra do excesso (bem ali) em virtude da falta (bem acolá); propunha, como Rubens, em seus modos críticos, um susto-golpe-corte vigoroso na mais-valia; de que modo? Distribuindo; fazendo aparecerem em diretas e nuas faces as diferentes forças; invocando enérgico e suave a Política (Pólis: e movimento e posições e embates e encontros) e o Amor (afeto máximo: e farto em variedade de gestos afirmativos; entre eles, o cuidar, o dar, o dividir, o trocar, o tornar-se o outro). 

Daí a sintomal saúde das pesquisas artísticas de Pileggi: os homens e as mulheres que habitam o fora, a rua; suas vestes, seus atos, seus plurais dizeres e sabedorias. Uma arte, então, de expor a fartura da miséria.

E aqui, nesta Vitrine, lugar quase sempre constituído para o desejar e o consumir, alteia-se uma espécie de paradoxo entre o que é visto (e o que se sente ao ver) e o que é mostrado (e o como é mostrado), e eis: a miséria, a penúria, Pênia, agora sob embalagem e ambiente ... ‘finos’, como se de uma imaginária, tenaz e irônica relojoaria. 

Olhos cuidadosos e sensíveis hão de ver a coisa, a ardente coisa que nos cerca, o outro, a coisa-outra; ali: quatro relógios de parede e o... ROMELEX, o precioso Relógio bem ao centro, sobre o clássico poder, do velho poder, do pedestal: Ele, o ROMELEX girando, girando, girando. 

Em cada um dos relógios, uma placa, como as dos relógios de hotéis internacionais em que se leria Paris, Tokyo, London; Mas nesta hora da arte de Pileggi, ao invés disso, os relógios marcam este tempo, hoje e histórico, com faces de novas gloriosidades, com faces dos moradores de rua. Nas placas: Lapa, Cinelândia, Glória, Carioca, Bairro de Fátima. 

E: no espaço expositivo de um conflito sem fim ainda: revistas; em suas páginas, propagandas de agudos relógios: os ROMELEX, com seu slogan: MUDANDO SEU TEMPO – slogan cravado sobre o cobertor corta-febre a emoldurar o vidro da Vitrine, a assinalar? não mais a pergunta que horas são, mas esta: Arte e Política, trata-se disso? E a responder-se: Sim, Arte e Política contemporâneas; e mais: Arte e Amor contemporâneos. E mais: e mais.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

PDF do projeto CROMO SAPIENS

Textos e imagens do projeto CROMO SAPIENS, realizado entre 2009 e 2012. São instalações, ações urbanas e um álbum de figurinhas realizados a partir de uma entrevista com 30 moradores de rua da cidade do Rio de Janeiro.
http://www.slideshare.net/pileggisa/cromo-sapiens

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Apartamento padrão


Projeto apresentado para ser realizado na parede da galeria A Gentil Carioca, enviado em 2010 e reapresentado para o concurso Abre-alas, de 2011. Aguardando propostas.









Paisagem retomada

Reflorestar área devastada onde certa espécie de animal (ou vegetal) foi extinta. O desenho do reflorestamento, visto do alto, deve ter o contorno do animal. Exemplares desse animal deverá habitar o lugar, com condições de se reproduzir.
A dimensão do trabaho deve ser grande o suficiente para ser visto do alto, por quem passa de avião.

Busco parcerias
Esse é um projeto de grande porte que deve envolver vários profissionais. Aceito terra, dinheiro ou sócios para o empreendimento. Entre em contato. Grato
Rubens Pileggi